INVESTIGAÇÃO

Vítimas de golpe compraram apartamento na planta em terreno de posse

Obra do Residencial Marítina, no acesso à Comunidade do Arvoredo, foi embargada pela prefeitura por não respeitar altura definida no Plano Diretor

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Vítimas de golpe compraram apartamento na planta em terreno de posse
Foto: Emanuel Soares / Jornal Conexão Comunidade

Atualizada às 16h40

As vítimas do golpe da venda de apartamentos para mais de um proprietário compraram os imóveis na planta, sendo que um dos empreendimentos, o Residencial Marítina, que fica na rua de acesso à comunidade do Arvoredo, não possui escritura pública. Consequentemente, o prédio que foi embargado pela a prefeitura não existe, apenas consta no registro de imóveis o terreno. A situação dificulta ainda mais o cenário de muitas pessoas que compraram imóveis de um construtor que desapareceu.

“Quando fecharam a permuta com o dono do terreno, eles deram três apartamentos. Um dos apartamentos seria o 102. Isso foi em Dezembro de 2015. Em Maio de 2016, ele – construtor – me vendeu o apartamento 102. Isso já constata um estelionato”, diz Andreia Gomes de Souza, uma das lesadas. A vítima deu como entrada dois carros no valor de R$ 100 mil.

Muitos dos investidores tentam recuperar o prejuízo com ações na Justiça. Os problemas envolvem os empreendimentos Maritina, Zarah I e Zarah II, todos localizados na Praia dos Ingleses. Até estrangeiros investiram na compra de imóveis nos prédios e tiveram que nomear representantes, já que não podem permanecer no Brasil durante o desenrolar do caso.

Na situação do residencial Maritina, a obra foi embargada pela prefeitura já que não respeita as determinações do Plano Diretor de Florianópolis. A cobertura do edifício, segundo os proprietários lesados, está acima do limite de altura determinado pelo município e, consequentemente, houve uma interdição por parte dos fiscais da prefeitura.

Nelson Brum Neto, de 61 anos, começou a desconfiar dos problemas envolvendo a obra do Residencial Marítina devido ao atraso contratual. “É um sentimento de indignação, sentir que as instituições não funcionam para proteger o cidadão. (…) Temos aqui muita gente que foi lesada. Tem um aqui que viajou 600 quilômetros para estar na nossa reunião”, disse a vítima.

A ação envolve um grande número de pessoas e são duas vertentes uma penal e uma civil. A questão penal já está sob investigação na 8ª Delegacia de Polícia da capital. As vítimas já começaram a ser ouvidas pelo delegado Nivaldo Rodrigues.

O advogado de uma parte das vítimas, Rodrigo Zambarda, orienta que todas as pessoas lesadas devem procurar a polícia para fazer o boletim de ocorrência, com o maior número de informações e documentos para que seja feito a representação dos construtores na justiça.

“É importante também ingressar com uma ação para buscar via judicial a entrega do bem ou a devolução dos valores e possível indenização por danos morais”, disse.

Vítimas de golpe compraram apartamento na planta em terreno de posse
Foto: Jornal Conexão Comunidade