REPORTAGEM EXCLUSIVA

“Queria largar o ônibus queimado na sede do governo do Estado”, diz proprietário

Jornal Conexão Comunidade conversou com um dos proprietários do ônibus alvo de um atentado nesta madrugada em Canasvieiras a 180 metros da delegacia do bairro

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Escalada da Violência

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O proprietário do ônibus alvo de um atentado perto da 7ª delegacia de Polícia Civil e da Acadepol em Canasvieiras disse em entrevista exclusiva ao Jornal Conexão Comunidade que a vontade dele era largar o ônibus queimado e destruído na sede do governo do Estado, após o crime registrado na noite desta quarta-feira (26) em Florianópolis. O veículo ficou totalmente destruído e suspeita-se que um coquetel molotov foi jogado no interior do coletivo através da janela do motorista.

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“Queria largar o ônibus queimado na sede do governo do Estado. Só não faço isso, já que o meu sócio não quer e tenho que respeitar ele. É culpa do Estado que não fez seu trabalho, seu dever. Minha van, que utilizo para transporte, pago todas as vistorias para o Deter e para a prefeitura, assim como o ônibus queimado. Esta tudo em dia. Eu cumpri minha parte com a sociedade e com o governo. Eles não fizeram o mínimo que é conter essa bandidagem e esse crime organizado. E hoje estamos aqui pagando a conta da incompetência dos nossos governantes”, disse Ramilton Souza, proprietário do veículo incendiado.

A polícia entrou em contato com os proprietários do coletivo, após o início do incêndio. Ramilton explicou que eles chegaram quando o veículo ainda estava em chamas e mesmo com a ação dos bombeiros, não havia mais o que fazer. A estrutura do veículo era composta por materiais inflamáveis como fibra de vidro, plástico e derivados de petróleo.

O ônibus, que custrava R$ 80 mil, estava estacionado perto da delegacia já que os proprietários acreditavam ser mais seguro. “O policial me falou que não. O policial me falou que quanto mais próximo da polícia, melhor para o bandido para mostrar força”, afirmou Ramilton. O prejuízo é irrecuperável. O veículo não tinha seguro e era usado para sustentar famílias que dependiam o serviço de transporte.

“Vou ver se consigo salvar o motor. Os pneus da frente eram novos e os traseiros eram usados. Vamos ver se conseguimos salvar R$ 10 mil ou 15 mil, já é alguma coisa”, comentou.