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Professores para reforço não são chamados e secretário manda cobrar nas escolas

Profissionais contratados pelo município trabalham com alunos que possuem problemas de aprendizagem nas instituições de Florianópolis

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Professores para reforço não são chamados e secretário manda cobrar nas escolas
Foto: Luzia Vidal / Jornal Conexão Comunidade

Os professores admitidos em caráter temporário (ACTs) para a execução de aulas de reforço, chamados de apoio pedagógico, para alunos promovidos de série com dependência, ainda não foram chamados pela Prefeitura de Florianópolis, responsável por realizar a contratação. Mesmo assim, o secretário da pasta, Maurício Pereira, disse que não tinha conhecimento do problema e mandou que a comunidade cobre a contratação diretamente nas escolas com os diretores.

“Desconheço por completo. Todas as demandas solicitadas nesse assunto, foram atendidas. Desconheço por completo. Tenho uma reunião com os diretores e vamos ver isso. (…) Não é que não temos o conhecimento, é uma informação. Isso aí é uma surpresa. Primeiro chegar na imprensa uma coisa que nós desconhecemos é no mínimo estranho. O diretor é a secretaria. Então tem que fazer a pergunta para o diretor”, disse o secretário.

Na Escola Maria Tomázia, na Praia do Santinho, 60 alunos precisam do atendimento especial. A diretora da instituição, Marli Magda Muller, disse que existe uma sala especial que foi totalmente equipada para o atendimento dos estudantes com déficit de aprendizagem, porém nenhum professor chegou e não existe nem previsão da prefeitura.

Foto: Luzia Vidal / Jornal Conexão Comunidade
Foto: Luzia Vidal / Jornal Conexão Comunidade

Na Escola Herondina Medeiros Zeferino em Ingleses, a maior da rede pública municipal com 1,5 mil alunos, nenhum professor de apoio pedagógico chegou, sendo que a instituição aguardava, pelo menos, três profissionais de 40 horas. “São professores que atendem alunos com deficiência de aprendizagem, é o antigo reforço. São os alunos prioridade número um da escola”, disse o diretor William Marques Pauli. Em 2016, foram apenas dois professores chamados para a maior unidade da rede.

Nesse ano, a instituição estima que mais de 100 alunos precisem do atendimento especial em turno inverso. As aulas ministradas pelos professores visam o desenvolvimento dos alunos nas disciplinas onde apresentam maiores dificuldades, como por exemplo, português e matemática.

No Rio Vermelho a situação é a mesma. A Escola Antônio Paschoal Apóstolo necessita de atendimento especial para 50 alunos com dificuldades em turno inverso. Izolete Silva, diretora, informou que a secretaria pensa em um novo modelo para apoio pedagógico para os próximos meses.

Uma fonte ligada a secretaria, ouvida pelo Jornal Conexão Comunidade, confirmou que existe ainda um descontrole dentro da pasta que comanda escolas e creches em Florianópolis. “Não existe ainda um organograma. Daí as escolas vem cobrar as demandas e não tem quem responda”, disse. No que se trata de uma cobrança nas escolas sobre a ausência de professores, no que indica o secretário, o diretor de uma escola não é representante da secretaria e sim da comunidade, sendo eleito diretamente por ela.