ANÁLISE

“Precisamos ocupar os espaços que o tráfico ocupou”, diz especialista em segurança

Do domingo de páscoa (16) até esta terça-feira (18), foram oito homicídios e forças de segurança estão em alerta

COMPARTILHE ›
"Precisamos ocupar os espaços que o tráfico ocupou", diz especialista em segurança
Morte no Rio Vermelho | Fotos: Jornal Conexão Comunidade

O especialista em segurança, coronel Eugênio Moretzsohn, fez uma análise da insegurança enfrentada pelos moradores do Norte da Ilha. Do domingo de páscoa (16) até esta terça-feira (18), foram oito homicídios. Dois na comunidade do Arvoredo (siri), um no Rio Vermelho e cinco na Vila União.

LEIA MAIS:
– Seis homicídios são registrados pela Polícia Civil no Norte da Ilha

O coronel disse que não adianta só colocar a Polícia Militar (PM) no fogo cruzado, onde existe a guerra de facções, já que a polícia vai revidar muitas vezes o fogo disparado pelos criminosos e quem sofre são as pessoas de bem que moram nesses locais. Ele afirmou que precisamos cobrar dos nossos representantes mudanças das políticas e da legislação, para que a força policial seja mais forte e tenha mais poder.

“Na altura do campeonato, a polícia precisa agir como polícia. Mas a outra parte precisa acompanhar. Precisamos ocupar os espaços que o tráfico ocupou. Nesse momento, a polícia precisa levantar informações de inteligência, se infiltrar, fazer barreiras e se mostrar para a população que precisa se sentir mais segura. A sensação de segurança é muito importante, é psicológica”, disse.

O problema, na visão do coronel, são os usuários de drogas que alimentam o tráfico. Isso causa a disputa entre facções criminosas por pontos de tráfico, como o que ocorreu nesta madrugada na Vila União. Na visão dele, a sociedade precisa participar mais ou terá como ‘pena’ tornar os locais de moradia uma fortaleza.

“O problema não é só policial. É mais social. A polícia é um ator importante, porém os outros atores não estão presentes. São as políticas públicas como educação, saneamento básico, lazer, geração de renda, oportunidades, investimentos sociais… Pego como exemplo o que aconteceu no Rio de Janeiro. Se criou uma política específica (Unidade de Polícia Pacificadora – UPP) e não funciona, já que os outros atores estatais não acompanharam a escalada”, disse.

O número de homicídios em Florianópolis já é de 75 desde o início do ano.