CARTEIRINHA COBRADA

Mãe registra queixa no Conselho Tutelar após filha ser barrada na merenda

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Foto: Emanuel Soares / Jornal Conexão Comunidade
Foto: Emanuel Soares / Jornal Conexão Comunidade

A mãe da menina de sete anos que ficou sem merenda na Escola Intendente José Fernandes em Ingleses, registrou nesta quarta-feira (13) uma queixa formal no Conselho Tutelar contra a instituição. A filha ficou sem merenda, após perder a carteirinha que dá acesso ao lanche. Esse não é um caso isolado dentro da escola. Outros pais procuraram o Conexão relatando os mesmos problemas com os filhos. O caso foi divulgado com exclusividade pelo Conexão.

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Para que a criança tenha acesso ao lanche público, a escola cobra R$ 5 reais a segunda via do documento. Esse seria o valor da plastificação, segundo a própria secretaria de Estado da Educação que confirmou a cobrança para acessar a merenda paga com dinheiro público.

“Fui no conselho pela manhã. Registrei a queixa e me aconselharam a ir na delegacia registrar o B.O. Na sexta-feira, vou na secretaria de Educação para fazer a denúncia também junto ao Estado”, disse Tatiane Aparecida Fernandes, mãe da criança de sete anos que foi barrada.

Thin Almeida, outra mãe, relatou ao Conexão o mesmo problema. O filho de oito anos havia deixado a carteirinha em casa, após euforicamente mostrá-la aos pais. No dia seguinte, não pode merendar e ficou vendo os demais colegas degustando o lanche. A mãe disse que não conseguiu ir a escola, já que trabalha o dia inteiro.

Por e-mail, uma mãe identificada como Carla disse que o filho de 10 anos também ficou sem merenda na Escola Intendente José Fernandes. No texto, ela contou que a criança esqueceu a carteirinha na bolsa, na hora do intervalo, e a professora trancou a porta, não permitindo que a criança voltasse para pegar o documento. “A professora trancou a porta e ele ficou com fome. O meu outro de oito anos foi comer pela segunda vez o tablet (equipamento que controla o acesso a merenda) fez um x, e meu filho não pode repetir. E se foi repetir, estava com fome. Isso é um absurdo”, escreveu.

Ontem, a própria secretaria de Estado da Educação confirmou que um valor é cobrado para que a criança tenha acesso a merenda pública. “Não foi negada a alimentação. Em caso de perda da carteirinha, a produção de uma nova é feita pela secretaria sendo cobrado dos responsáveis o valor de R$ 5 da plastificação e proteção da mesma. O documento é entregue gratuitamente para cada um dos alunos, garantindo assim o registro de sua atividade nutricional. Em relação a reimpressão, sim, é acordado um valor simbólico em reuniões com a comunidade escolar podendo variar de localidade para localidade (assim como a reimpressão de qualquer outro documento público ou de identidade) garantindo assim a responsabilidade com o documento. Em casos extremos de famílias carentes, é recomendada a reimpressão gratuita”, disse a Secretaria.

RELATO DA CRIANÇA

A menina de sete anos contou em um áudio que circula nos grupos de WhatsApp como foi que ela foi barrada pelas ‘educadoras’ que trabalham na instituição por estar sem a carteirinha na hora da merenda.

“Eu estava na sala e fui pegar a minha carteirinha e não achei. Fui pro recreio e fui pra fila e não deixaram. Fiquei sentada lá. Quando a minha irmã chegou, fui na fila e eles falaram, cadê tua carteirinha para passar? Daí eu falei, tu não pode me dar uma fichinha pra tirar? Elas falaram não. Aí só deixaram eu beber água e não comer nada. Daí eu peguei um pouco do lanche da minha irmã”, disse a aluna de sete anos.