Emanuel Soares: “Intolerância religiosa dentro do Pró-Cidadão no Norte da Ilha”

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Emanuel Soares Colunista DigitalUm caso de intolerância religiosa foi registrado dentro de uma unidade do Pró-Cidadão do Norte da Ilha. As vítimas foram as atendentes do órgão. O relato de uma delas foi ouvido por mim, e decidi não divulgar os nomes dos envolvidos. Porém, vou contar o caso para mostrar o quanto ainda precisamos evoluir no respeito a diversidade religiosa e as escolhas de cada um. Um verdadeiro absurdo.

A cena foi protagonizada por um homem que chegou ao local para realizar o encaminhamento de documentos junto ao município. Durante o atendimento, ele começou a falar em Jesus e Deus e questionou as atendentes sobre qual igreja elas frequentavam. Ambas responderam que são frequentadoras da Umbanda, uma religião de origem totalmente brasileira.

Ao digerir a informação, o homem afirmou que a Umbanda ‘era coisa do Diabo’, que ele era ‘evangélico protestante’ e que o “pastor” diz que isso não existe. Ele repetiu mais de uma vez que a Umbanda era ‘coisa do Diabo’. Uma das atendentes se irritou e disse que ele deveria respeitar as decisões de cada um, assim como a dela em frequentar uma terreira. “Só quem fala em Diabo são esses pastores”, disse uma delas.

Sem ter o mínimo de conhecimento, o homem ofendeu a religião que é brasileira de fato. Tanto o catolicismo, como espiritismo ou o culto evangélico são vindos de outros países. Está mais do que claro o motivo de os Umbandistas se declararem católicos quando questionados; fogem do preconceito ainda estabelecido na Umbanda.

Outra coisa mais clara ainda é que o preconceito começa dentro das religiões. Algumas evangélicas tentam a todo custo ‘pregar’ a palavra de Cristo, para ganhar mais ovelhas, sem se importar se não estão agredindo a pessoa que frequenta outra religião. E mais, os próprios Umbandistas não falam da prórpria religião, com medo do preconceito. Só que isso é outro preconceito.