POLÊMICA

Criança fica sem merenda por não ter carteirinha na Escola Intendente, dizem pais

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Diretora diz que não mandou alunos para casa por não estarem de uniforme
Foto: Emanuel Soares / Jornal Conexão Comunidade

Um novo modelo de controle da merenda nas escolas estaduais de Santa Catarina começou a regular a quantidade de alimentos servidos nas instituições. Mediante a apresentação de uma carteirinha, o código de barras é lido e o aluno é servido. Porém, uma aluna de sete anos da Escola Intendente José Fernandes disse aos pais que ficou sem comer, após perder a carteirinha. O relato da aluna começou a circular em grupos de WhatsApp e os pais confirmaram.

“Eu estava na sala e fui pegar a minha carteirinha e não achei. Fui pro recreio e fui pra fila e não deixaram. Fiquei sentada lá. Quando a minha irmã chegou, fui na fila e eles falaram, cadê tua carteirinha para passar? Daí eu falei, tu não pode me dar uma fichinha pra tirar? Elas falaram não. Aí só deixaram eu beber água e não comer nada. Daí eu peguei um pouco do lanche da minha irmã”, disse a aluna de sete anos.

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Segundo a mãe Tatiana Aparecida Fernandes, foi solicitada uma segunda via, que é cobrada. Quando pediu recibo, a escola disse que não ia cobrar por não ter como repassar um recibo. “Falaram que é uma lei que necessita da carteirinha pra merenda. Ela disse que eles tem uma carteira que se a criança perde, eles passam. Mas primeiro eles constrangem a criança. Foram grossas com a gente. Fui na secretaria para tirar a segunda via, e não cobraram por não ter recibo, já que não ia pagar. Até a secretária disse que não fomos os primeiros pais a reclamar. (…) Muitos já foram reclamar que estão deixando as crianças sem comer. (…) Nunca vi falar disso, de cobrar para fazer o lanche. A criança está uniformizada e dentro do colégio”, disse a mãe.

Uma outra família, confirmou ao Conexão que a filha de 12 anos também ficou sem comer por falhas na leitura do código de barras da carteirinha. A aluna estuda no período da tarde na instituição que fica em Ingleses.

O Conexão entrou em contato com a escola, mas os responsáveis não quiseram emitir declaração sobre a polêmica. Na Secretaria de Estado da Educação, a assessoria informou que a diretora afirmou que em nenhum dos casos citados foi negada a alimentação e que em caso de perda da carteirinha, a produção de uma nova é feita pela secretaria sendo cobrado dos responsáveis o valor de R$ 5 da plastificação e proteção da mesma.

“O documento é entregue gratuitamente para cada um dos alunos, garantindo assim o registro de sua atividade nutricional. Em relação a reimpressão, sim, é acordado um valor simbólico em reuniões com a comunidade escolar podendo variar de localidade para localidade (assim como a reimpressão de qualquer outro documento público ou de identidade) garantindo assim a responsabilidade com o documento. Em casos extremos de famílias carentes, é recomendada a reimpressão gratuita”, disse a Secretaria.

Questionada se isso é uma cobrança pela merenda que é gratuita em escolas públicas, a secretaria disse que o projeto é uma importante ação apresentada para 2017. “Por meio do tablets ou leitor de código de barras será possível fazer a leitura eletrônica da carteirinha de identificação dos alunos. No início de 2017, 120 escolas receberam tablet, e utilizam o recurso”.