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REPORTAGEM EXCLUSIVA

VÍDEO: Em 10 anos, nível do mar aumentou em praias do Norte da Ilha

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As mudanças no clima do planeta devido ao ‘aquecimento global’, motivado pela não preservação do meio ambiente, causam efeitos devastadores em muitos pontos do planeta. As imagens de satélite do Google e da Nasa, mostram que o nível do mar já aumentou nas praias mais movimentadas do Norte da Ilha em 10 anos. Não é possível precisar quantos metros diminuiu a faixa de areia, porém pelas imagens é de fácil constatação o encurtamento desses espaços em Ingleses e Canasvieiras, bairros mais movimentados da região durante a alta temporada de verão. Um estudo aponta que o aumento do nível das águas está ligado diretamente ao aumento no número de ressacas.

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Foto: Gabriel Lemos

Foto: Gabriel Lemos

Na década de 80, por exemplo, o canto sul de Ingleses tinha uma faixa de areia extensa. No ponto próximo a Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, o mar estava distante das construções. Atualmente, em virtude da ressaca, a água está atingindo as casas que no passado, estavam longe do mar. Gabriel Lemos, nativo do bairro e atualmente intendente da região, lembra como era aquela época. “Saudade de quando jogava bola com 10 para cada lado perto da igreja e na Rua dos Tubarões”, contou. Hoje ambos locais sofrem com a falta de faixa de areia.

O professor universitário de oceanografia da Univali, João Luiz Batista Carvalho, acredita que as praias devem se recompor até o verão, quando o mar fica mais baixo e devolve a areia à costa. A ausência de dunas em muitos pontos dificultam a recomposição da praia. A médio prazo, o especialista pede que muros sejam retirados e a restinga seja replantada para ajudar na recuperação da faixa de areia. “Precisa colocar uma vegetação de restinga que é natural da praia. Ela faz a proteção das casas contra a força do mar”, disse o professor. Ele ainda acredita que, se for preciso, retirar as casas da beira da praia, sai muito mais barato do que aumentar a faixa de areia.

VÍDEO: Maré sobe e ressaca volta a atingir praias do Norte da Ilha

Foto: Severino Marinho

Em Canasvieiras, que perde espaço na faixa de areia há 10 anos, a Associação Comercial e Industrial de Florianópolis apresentou um estudo para o engordamento da faixa de areia junto ao mar. O projeto custaria R$ 25 milhões e seria executado com dinheiro da iniciativa privada, segundo Luiz César Costa, diretor regional da Acif Canasvieiras. Além de prever o valor, uma das partes mais burocráticas é conquistar as licenças ambientais para o serviço.

O argentino Nicolás Andrés Simioli, natural Buenos Aires, desde 2000 frequenta as praias do Norte da Ilha durante as férias. Há dois anos, escolheu Florianópolis para viver. Ele relembra que a faixa de areia das praias era muito extensa. “Primeiramente o desenvolvimento do Norte da Ilha foi muito grande nesse período. As praias eram super compridas, como Ingleses e Canasvieiras. Vi uma diminuição muito grande da faixa de areia, principalmente nos Ingleses. Além disso, me preocupa muito a poluição destes locais”, contou.

ENROCAMENTO

Faixa de areia desaparece no canto sul de Ingleses por causa da ressaca

Foto: Emanuel Soares / Jornal Conexão Comunidade

O professor de oceanografia da Univali, João Luiz Batista Carvalho, é contra. O especialista estudou os efeitos dos estragos causados pela ressaca e a tentativa de minimizar isso com um aterro de rochas na Praia da Armação no Sul da Ilha. Por causa disso, a água bate nas pedras e causa ainda mais erosão e a praia nunca conseguiu se recompor.

PREJUÍZOS E RESSACAS

O aumento no nível do oceano já impacta Florianópolis. A vulnerabilidade da Capital por ser uma ilha pode causar um prejuízo econômico e imobiliário em valores que podem chegar a bilhões. De acordo com o relatório internacional ‘Impacto, vulnerabilidade e adaptação das cidades costeiras brasileiras às mudanças climáticas’, o nível do mar pode chegar a subir 40 centímetros até 2050. O período de maior elevação é recente, de 1993 a 2010, quando a taxa de elevação correspondeu a mais de 3,2 milímetros por ano em todo o país.

A ressaca de 2016 não se compara a de 2017, que persiste por vários meses nas praias do Norte da Ilha. O mesmo estudo aponta que, além do nível do mar estar subindo, a cidade de Santos em São Paulo, teve um aumento anual no número de ressacas, exatamente como Florianópolis.

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