Silvio Souza: “E agora José?”

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colunista-silvio-bannerAqui serei super ousado, sem ser desrespeitoso e busco inspiração para este texto no poema de Carlos Drummond de Andrade, intitulado JOSÉ.

Parece que foi escrito para   momento atual, mas Drummond escreveu em 1942, no período da segunda guerra mundial e da era Getúlio Vargas.

Este JOSÉ pode ser chamado de Presidente, seja da onde for: do país, câmara, das empreiteiras, ou do congresso.

Este José pode ser chamado de ministro, prefeito, vereador, deputado, senador;

Este José pode ser chamado de povo, aliás está cheio deles.

PODE SER O JOSÉ DO BEM OU O JOSÉ DO MAU, ALIÁS MUITO MAU.

O poema diz:

E agora, José? A festa acabou, (TÁ ACABANDO) a luz apagou, (FICOU MUITO CARA) o povo sumiu, (TÁ VOLTANDO COM FORÇA) a noite esfriou, e agora José?

E agora, você? Você que é sem nome, (JÁ ESTAMOS IDENTIFICANDO) que zomba dos outros, (LOGO NÃO MAIS ZOMBARÁ) você que faz versos, que ama, protesta, e agora, José?

Está sem mulher, está sem discurso,  (MAS ACHA QUE AINDA TEM) está sem carinho, (ESTÃO PULANDO DO BARCO) já não pode beber, (ACHO QUE OS PORRES ESTÃO MAIORES) , já não pode fumar, cuspir já não pode, (NA VOTAÇÃO DO  IMPEACHAMENT PODE  E TAMBÉM EM RESTAURANTES) a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, (O DEBOCHE CONTINUA) não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José?

E agora José? Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio – e agora?

Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou (SÓ HÁ LAVA JATO) ; quer ir para Minas, Minas não há mais.  (DESAPARECEU INEXPLICAVELMENTE) José, e agora?

Se você gritasse, se você gemesse, se você tocasse a valsa vienense, se você dormisse, se você cansasse, se você morresse…Mas você não morre, você é duro, José!

Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua (LEVARAM ATÉ O CRUXIFIXO)  para se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, José!
José, pra onde?

MEU AMIGO JOSÉ, DO BEM …FORÇA!  TE PEÇO: NÃO DESANIME.

HÁ ESPERANÇA NO AR. PODE NÃO SER A QUE MERECEMOS, MAS HÁ.

Boa semana e até breve.