POLÊMICA

Secretário manda suspender uso de livro, após reportagem do Jornal Conexão

Livro não deve ser usado com os alunos, orienta o secretário de educação do município de Florianópolis

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Livro em escolas de Florianópolis sugere casamento entre pai e filha
Foto: Emanuel Soares / Jornal Conexão Comunidade

Secretaria de Educação de Florianópolis mandou suspender utilização de livro do MEC nas escolas, após a matéria publicada pelo Jornal Conexão Comunidade. A obra polêmica, “Enquanto o sono não vem”, fala sobre o desejo de um pai em se casar com uma das filhas e transformar a mãe em criada. A filha não aceita o pedido e é castigada e torturada até a morte. Algumas escolas do município de Florianópolis receberam exemplares de livros pertencentes ao Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC) e ao Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).

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A secretaria municipal de Educação de Florianópolis orienta que as equipes diretivas e pedagógicas das unidades educativas fiquem sempre atentas ao conteúdo dos livros e outros materiais didáticos que são trabalhados com os estudantes. Entre as obras polêmicas repassadas pelo MEC está o livro “Enquanto o sono não vem”, de José Mauro Brant, da Editora Rocco, que é destinado a alunos de primeiro ao terceiro ano, entre 6 e 8 anos.

No livro, há um conto intitulado “A triste história de Eredegalda”, que aborda a história de um rei que pede uma das três filhas, Eredegalda, em casamento.

O secretário de Educação da capital catarinense, Maurício Fernandes Pereira, determinou a suspensão da utilização deste livro nas escolas que já o haviam recebido. Este tipo de literatura não ajuda, só atrapalha, opina o secretário. Ele ressalta que o Ministério da Educação enviou a obra diretamente para as escolas. “Ao me deparar com o livro, encaminhei um exemplar para análise. A equipe da Secretaria decidiu pelo recolhimento dessas obras”.

Maurício Fernandes Pereira disse que acha muito estranho que o MEC não envie primeiro o material para o órgão central das secretarias de educação para depois encaminhá-lo para as escolas.
“Pretendo discutir esse assunto com o Ministério da Educação em Brasília”.

O titular da Educação também está solicitando aos estabelecimentos de ensino que, em caso de dúvidas em relação ao uso de algum material didático, que procurem a SME. “Desta forma, estaremos tomando as devidas providências”, disse.

A história
No conto “A triste história de Eredegalda, ao recusar o convite do pai, de se casar com ele, a menina é presa em uma torre. Ao pedir à mãe e às duas irmãs para beber água, ela não recebe ajuda, uma vez que esses membros da família são ameaçados de morte pelo patriarca.

No final, a garota acaba aceitando a proposta do pai, mas ele resolve fazer um desafio com três cavaleiros: o que chegasse primeiro com um jarro d’água ganharia a mão da filha. Essa oferta, no entanto, não é explicada na história. O conto mostra que a menina morreu antes.

O Ministério da Educação (MEC) confirmou a presença do livro no Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), mas disse que o processo foi realizado na gestão anterior, em 2014.