VIROSES

Saúde estadual diz que Florianópolis vive um surto de diarreia

Casos aumentaram 500% em relação ao mesmo período do ano passado, diz estudo

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A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive/SC) disse que Florianópolis vive um surto de diarreia. A confirmação veio com a apresentação de um relatório parcial que comprovou um aumento de 500% no número de atendimentos, em relação ao mesmo período do ano passado, o que é muito acima do normalmente esperado para a época do ano. Entre as últimas semanas de 2015 e primeira de 2016 aumentou de 200 para 1.200 casos registrados.

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O estado disse que a investigação aponta para a ocorrência de um surto de diarreia com ‘etiologia viral’, ‘acometendo a população temporária ou permanente da região’. Porém, mesmo com os altos níveis de poluição das praias, não foi possível estabelecer vínculo com exposição hídrica, alimentar ou recreacional.

Os casos de virose foram noticiados pelo Jornal Conexão Comunidade (JCC) no dia 4 de janeiro, quando as farmácias e a Upa Norte (foto acima) registravam grande procura no atendimento. As farmácias chegaram a zerar os estoques de medicamentos para combater enjoo e a diarreia.

DADOS

Entre 7 e 9 de janeiro de 2016, foram avaliadas 215 pessoas com sintomas de gastroenterite. Esses pacientes foram atendidos na UPA Norte, cuja análise preliminar aponta as seguintes características:

– Os casos se apresentam em pessoas de todas as idades, sem preferência por faixa etária;

– Os quadros foram em sua maioria leves, com início dos sintomas há menos de três dias, sendo os sintomas mais frequentes vômito (83%) seguido de diarreia (75%). Em menor proporção foi relatado dor abdominal (65%) e febre (30%);

– A característica da diarreia que se apresenta de forma líquida, aguda, branda, autolimitada e não sanguinolenta, aliada à presença acentuada de vômito, é compatível com quadro de infecção viral;

– Foram coletadas 12 amostras clínicas para análise laboratorial de vírus e 7 amostras para pesquisa de bactérias. Os resultados devem ser divulgados até a próxima segunda-feira (18);

– Aproximadamente 70% das pessoas investigadas tinham frequentado praia, principalmente Ingleses (32%), Canasvieiras (20%) e Ponta das Canas (11%). Os demais se distribuíram em várias praias, especialmente as do Norte e Leste da Ilha;

– Os casos investigados tinham residência temporária ou permanente em bairros do norte da ilha, principalmente Ingleses (35%), Canasvieiras (14%) e Rio Vermelho (14%).

COMO PREVENIR

A Vigilância Epidemiológica Estadual e a Secretaria de Saúde de Florianópolis recomendam as seguintes medidas para a prevenção de diarreia a população em geral:

– Lavar frequentemente as mãos com água e sabão, especialmente após utilizar o sanitário e antes de se alimentar, preparar ou manipular alimentos;

– Higienizar frutas, legumes e verduras com solução de hipoclorito a 2,5% (diluir uma colher de sopa de água sanitária para um litro de água por 15 minutos, lavando em água corrente em seguida, para retirar resíduos);

– Evitar o consumo de alimentos crus ou mal cozidos, principalmente frutos do mar (ostras, mariscos e outros);

– Cuidado com água mineral falsificada de fonte ou procedência duvidosa, bem como gelo, “raspadinhas”, “sacolés”, sorvetes não industrializados, sucos e outros produtos de origem desconhecida;

– Os funcionários que manipulam alimentos devem se afastar de suas atividades por um período mínimo de 3 dias após cessarem os sintomas, pois mesmo que não apresentem sintomas, podem transmitir o vírus para outras pessoas;

– Lavar e desinfetar superfícies que tenham sido contaminadas com vômito e fezes de pessoas doentes, usando água e sabão e desinfecção com água sanitária.