RIO DE ESGOTO

Poder público não avança em ações para conter poluição em Canasvieiras

Análise de balneabilidade mostra que o mar, próximo ao Rio do Brás, ficou impróprio para banho durante seis meses em 2016

COMPARTILHE ›
Fotos: Marileide Peixoto / Divulgação
Fotos: Marileide Peixoto / Divulgação

A poluição é a grande demanda que Canasvieiras precisa enfrentar nos próximos anos para minimizar a condição imprópria para banho do balneário, principalmente próximo ao trapiche, análise que se manteve a mesma por seis meses. Após a chuva do início de setembro de 2016 que fez o nível do Rio do Brás engolir parte da praça construída por empresários das escunas em Canasvieiras, ele voltou a tona. E a pergunta mais comum entre os moradores é ‘o que tem sido feito pelo Rio do Brás?’

Imagem: Jornal Conexão Comunidade
Imagem: Jornal Conexão Comunidade

Suspensa no dia 15 de dezembro de 2015, a análise de balneabilidade voltou a ser divulgada apenas no dia 5 de janeiro de 2016, após o grande movimento do réveillon na Ilha. Segundo os documentos analisados pelo Jornal Conexão Comunidade com os resultados dos testes feitos pela Fatma, o ponto ao lado esquerdo do trapiche, junto a foz, já não apresentava condições de banho no dia 1º de dezembro de 2015. Quando foi retomada a divulgação de resultados, as águas deste ponto da baía apresentavam 29 vezes mais coliformes fecais do que o considerado normal. O número da análise foi de 24,1 mil por 100 ml, sendo que o normal e inferior a 800. Até junho, os resultados se mantiveram impróprios para banho.

boletim-ocorrencia-furto-casan-gerador-menor
Imagem: Exclusiva / Jornal Conexão Comunidade

Neste período, com o grande movimento de turistas, ligações irregulares no sistema pluvial e o extravasamento de esgoto da rede da Casan no Rio do Brás após o furto de um gerador que não se ativou em uma queda de energia (boletim de ocorrência), o rio tomou seu curso em direção ao mar, poluindo o balneário ainda durante o verão. Entretanto, essa situação permaneceu por seis meses, quando a água voltou a ser própria para banho ao lado do trapiche.

Foto: Jaime Júnior / Jornal Conexão Comunidade
Foto: Jaime Júnior / Jornal Conexão Comunidade

Muitos desavisados, acabam se lavando nas águas podres do rio durante o verão. A Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) anunciou a construção de uma estação de tratamento de esgoto para ajudar a melhorar o tratamento no Norte da Ilha. A operação efetiva vai iniciar, segundo a Casan, em meados de dezembro com o investimento de R$ 7,2 milhões. “Ela vai atender a demanda, principalmente em dias de chuva quando entra água na rede de esgoto. São 100 litros por segundo a mais tratados para evitar que isso extravase”, disse Fábio Krieguer, gerente de construções da companhia.

Foto: Luzia Vidal / Jornal Conexão Comunidade
Foto: Luzia Vidal / Jornal Conexão Comunidade

“Nós participamos de uma audiência onde ficou bem claro que, não existe promessa de solução para essa nova temporada. Vamos ficar novamente a mercê da intempérie. Se chover forte, o rio vai poluir a praia apesar de todo o empenho da população. (…) Temos que rezar para que não chova forte durante o verão para que não ocorra a poluição da baía. Daí é o caos completo!”, garantiu Carlos Maria Hennrichs, presidente da associação Pró-Canas.

Fotos: Valéria Ribeiro / Divulgação
Fotos: Valéria Ribeiro / Divulgação

A solução definitiva ainda parece estar longe. A correção das ligações clandestinas não ocorre na mesma velocidade em que o esgoto invade a rede pluvial que deságua no Rio do Brás. O estudo conjunto entre a Prefeitura de Florianópolis e a Casan do projeto de colocação de bactérias para tratar o Rio do Brás foi abandonado.

Em junho passado, a Justiça não aceitou o argumento da Casan que disse em documento estar tomando medidas para diminuir a poluição causada por vazamentos de esgoto para dentro do Rio do Bráz. Na decisão, o juíz Marcelo Krás Borges escreveu que “é público e notório que o rio ainda se encontra poluído, não havendo um bom funcionamento da Estação Elevatória da Casan”.

Foto: Luzia Vidal / Jornal Conexão Comunidade
Foto: Luzia Vidal / Jornal Conexão Comunidade

Segundo a Prefeitura de Florianópolis, que coordena o programa ‘Floripa se Liga na Rede’, 57% dos imóveis do entorno do rio estão com as ligações inadequadas, sendo que o balneário tem rede de esgoto em todos os pontos. Desde que ocorreu a poluição a fiscalização foi reforçada. Com a colocação de fumaça na rede, 54 pontos de irregularidades foram encontrados pela Casan. Como o poder de polícia é da prefeitura, todos os problemas estão sendo repassados ao programa de fiscalização.

OUTRO RIO DE ESGOTO

Quem anda até o fim da Rua Acarí Margarida com o objetivo de chegar na curta faixa de areia da Praia de Canasvieiras precisa se preparar para enfrentar o esgoto do Riacho Beatriz. O cheiro fétido se intensifica durante a temporada de verão, e no inverno a água escura chama a atenção de quem mora nas proximidades. Quase impossível de ser fiscalizado para verificar ligações irregulares de esgoto por ter sido canalizado, o Riacho deixa a parte oeste do balneário sem condições sanitárias de banho durante o verão.

“Eu vivo aqui e não posso nem ir à praia no verão. É lamentável a situação que o nosso bairro está vivendo”, disse a moradora Gabriela Gonçalves. Das 18 análises de 2016, 7 foram impróprias principalmente na temporada de verão. Em janeiro, o número de coliformes fecais foi 29 vezes maior do que o normal na água, sendo similar ao resultado identificado no Rio do Brás na mesma época.