RESSACA

Muros deveriam ser retirados para plantar restinga, diz oceanógrafo

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Foto: Emanuel Soares / Jornal Conexão Comunidade

As ressacas constantes durante o inverno ascenderam o sinal de alerta na cabeça de muitos moradores e turistas que passam o verão nas praias do Norte da Ilha em Florianópolis. A pergunta que ronda muitas pessoas é: será que a praia vai voltar ao normal até o verão? Para minimizar os impactos da ressaca, o professor universitário de oceanografia da Univali, João Luiz Batista Carvalho, acredita que as pessoas que moram nas proximidades da faixa de areia, devem retirar os muros que separam a praia da casa e plantar em um pedaço do terreno até o mar vegetação de restinga.

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“O que tem a frente da casa é só um terreno e no final desse terreno tem um muro que faz um degrau. Ele planifica o terreno dele com um muro de rocha para separar da praia. (…) Esses muros precisariam ser retirados para plantar uma vegetação de restinga que é natural da praia. Ela faz a proteção das casas”, disse o professor. Ele acredita que desta forma, a vegetação ajudaria na recomposição da praia, minimizando os estragos.

As restingas ajudam na recuperação do mar e estão espalhadas por muitos pontos do litoral brasileiro.

A tendência, segundo o professor, é que no período de primavera e verão a praia fique maior. Mesmo assim, a médio prazo, é preciso que soluções sejam colocadas em execução. No inverno, o oceanógrafo afirmou que a praia fica mais ‘magrinha’, já que a areia fica depositada na arrebentação das ondas. Já no verão, as ondas são menores e a areia volta à beira da praia.

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Foto: Severino Marinho

Na visão do professor, se as praias tivessem mais dunas, elas ajudariam a repor a areia, momentâneamente. Porém, em Ingleses as dunas estão em apenas 5% da praia, junto ao canto sul, e o efeito não é sentido nos demais pontos da orla. “Como não tem essa areia, a onda bate no muro e escava o muro, aumentando o processo erosivo. A culpa da erosão é de quem tá reclamando que o mar está subindo. O mar não está subindo. É um processo natural. O que acontece que a praia vai ficando debilitada, vai perdendo a saúde, já que as pessoas vão construindo na beira da praia”, disse.

“É muito mais barato retirar as casas do que fazer um engordamento. Mas é possível. (…) Quando você coloca pedra (aterro), você nunca mais recupera a praia. Você precisa deixar ela livre ‘para respirar’. Neste caso, a única forma de voltar é com engordamento”, afirmou.

Se nenhum dos casos foi acertado pelo poder público, as pessoas podem no próprio terreno plantar restinga, retirando os muros em frente a praia. Isso já ajudaria na recomposição do mar.