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“Minha mãe chora todos os dias”, diz irmã da transexual assassinada em Ingleses

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Escalada da Violência

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A morte de Jennifer Célia Henrique, de 38 anos, completou 40 dias. A polícia já tem suspeitos da morte, porém não divulga muitos detalhes para não atrapalhar as investigações. Ela foi uma das vítimas da escalada da violência no Norte da Ilha. O assassinato que chocou fãs e admiradores da transexual, ainda não foi superado pela família que tem enfrentado dias difíceis, principalmente a mãe da vítima.

O jornalista Emanuel Soares localizou a irmã dela, Luciane Henrique, que mora em Porto Alegre, e fez uma entrevista. Segundo ela, a mãe chora todos os dias a morte de Jenni. “Ela que fazia a organização da casa, da limpeza, saía para pagar contas… Era tudo para eles”. A família, que ainda não superou a morte, pede Justiça e quer ver o culpado na cadeia. “Vamos lutar até o fim pra isso. Não vamos desistir até colocar essa pessoa atrás das grades. Queremos Justiça!”, diz a irmã.

O caso que envolve a investigação começou com declarações polêmicas do delegado responsável na Delegacia de Homicídios. Depois, tudo mudou de mãos e passou para o delegado Eduardo Mattos, lotado na delegacia do Norte da Ilha. No currículo dele, estão investigações como a de assassinatos em série no meio-oeste. Nos primeiros dias como responsável pelo caso, o delegado levantou os momentos finais de Jennifer e já identificou um suspeito.

Jennifer era a mais nova dos seis irmãos filhos de Celia Silva Gauterio, 75 anos, e do pescador aposentado Orivaldo Alvim Henrique, 75 anos. Hoje, o sentimento entre famíliares, amigos, admiradores e militantes do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) é o pedido de Justiça.

LEIA A ENTREVISTA:

Jornal Conexão: Como está a Família após a morte da Jennifer?

Luciane: Desde a morte da Jennifer meus pais estão arrasados. Principalmente minha mãe. Ela não consegue se alimentar, não dorme, chora 24 horas por dia. Tá muito difícil, sabe.

Jornal Conexão: Ela tinha um cuidado especial com o pai e com a mãe. Qual era o papel dela dentro de casa?

Luciane: Na verdade, a Jennifer era tudo para eles. Ela que fazia a organização da casa, da limpeza, saía para pagar contas… Era tudo para eles. Nós somos em seis irmãos, todos são casados, tem família para cuidar. Ela foi a única que ficou na casa cuidando dos meus pais. Ela fazia de tudo para eles.

Jornal Conexão: Vocês tem acompanhado as investigações? A morte dela causou uma comoção.

Luciane: Na verdade, estamos em cima direto. Temos informações que eles passam. O delegado disse que já sabe quem foi que fez isso com a Jennifer, mas no momento não pode fazer a divulgação. A gente fica com aquela indignação e com a tristeza, já que não podemos trazer ela de volta. Pelo menos, prender o assassino que fez essa barbaridade com ele, que se faça Justiça. Vamos lutar até o fim pra isso. Não vamos desistir até colocar essa pessoa atrás das grades. Queremos Justiça!

Jornal Conexão: A Jennifer foi uma das vítimas da ‘escalada da violência’. Como vocês, que perderam ela, estão vendo esse aumento dos casos de violência numa região tão pacata e tranquila como, até então, era o Norte da Ilha?

Luciane: Estamos vendo com muito medo. Me criei aí. Era um lugar tranquilo que era maravilhoso de morar. Ultimamente as pessoas tem medo de sair na rua. A violência aumenta a cada dia. Você sai com vida e não sabe se volta. Impressionante isso que acontece aí no Norte da Ilha. Muito medo.

Jornal Conexão: Você como irmã, que mensagem deixaria para as pessoas que sentiram a morte da Jennifer, já que ela era muito conhecida aqui na região?

Luciane: Agradeço a cada um de coração pelo carinho, pelas mensagens…(voz embargada) que fizeram tudo isso pela minha irmã. Agradecemos e que deus abençoe a cada um que esteve do nosso lado. Não é fácil estar falando assim, pois é muito recente. A saudade é muito grande e não tem como não ficar emocionada.

Jornal Conexão: A Jennifer era muito querida por todos. Muito obrigado pela entrevista.

Luciane: Muito obrigada.