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Livro em escolas de Florianópolis sugere casamento entre pai e filha

Conto 'A triste história de Eredegalda' retrata a violência cometida pelo pai contra uma filha que morre de sede após ser trancada na torre de um castelo

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Eram três filhas de um rei
Todas as três eram belas.
A mais bela de todas
Eredegalda se chamava.

Um dia, seu pai lhe disse:
– Se quiseres casar comigo,
Serás a minha esposa,
E tua mãe, nossa criada.

No fim da história, depois se negar a casar com o pai, Eredegalda morre de sede, pois foi alimentada só com carne salgada após ser trancada pelo pai numa torre de castelo. Nem a mãe, nem os irmãos socorreram a princesa, por medo do pai. Os príncipes não chegaram a tempo com os jarros de água. Como diz o próprio livro, Eredegalda se transformou numa virgem de grinalda e véu, ao lado de anjos.

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O conto ‘A triste história de Eredegalda’ da obra ‘Enquanto o Sono Não Vem’ que é indicada para séries iniciais (do 1º ao 3º ano), foi recebida por escolas de Florianópolis dentro do projeto nacional de alfabetização na idade certa, promovido pelo Ministério da Educação (MEC). O livro sugere casamento entre pai e filha, violência e tortura. Na Escola Herondina Medeiros Zeferino, maior instituição da rede municipal, ele já foi retirado de circulação e entregue para a equipe pedagógica.

Escolas de toda a região receberam a mesma obra, segundo levantamento do Jornal Conexão Comunidade. Ela foi escrita por José Mauro Brant e foi retirada das bibliotecas em diversas escolas do país.

Na visão de Maurício Fernandes, secretário de Educação de Florianópolis, o livro não ajuda no ensinamento das crianças. “Preparei uma nota que vou enviar para todos os diretores. Nossa medida é dizer para as escolas para eles avaliarem e se eles julgarem que tem que tirar, tem que tirar! A minha nota vai nesse sentido. (…) Eu acho que deve tirar. Na minha visão como educador, não faz sentido esse livro, não cabe. Não ajuda, atrapalha. Não é o caso de ser contra ou a favor, ele não ajuda, atrapalha”, comentou.

O secretário comentou que as obras são enviadas diretamente pelo MEC às escolas, porém, há pouco mais de três semanas, uma caixa parou na secretaria e ele por curiosidade foi verificar e se parou com a obra ‘Enquanto o Sono Não Vem’. Ele encaminhou um exemplar para uma análise e depois o problema estourou no país inteiro.

“O ministério não pode mandar o livro direto para a escola. Esse livro é de historinhas, contos. Ao ser livro assim, o MEC compra um monte de livros e sai mandando pra todo mundo. Tá errado, não pode! A relação tem que ser com a rede (secretaria)”, disse. O secretário planeja um encontro com o Ministério da Educação para tratar desse e outros temas.