INVESTIGAÇÃO

“Foi uma venda só feita pelo Diego”, diz advogado do construtor suspeito de golpe

Justiça negou na segunda-feira (18), pedido de liminar para o primeiro habeas corpus, após 113 dias de prisão

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Justiça nega liberação de construtor preso suspeito de golpe em Ingleses
Foto: Emanuel Soares / Jornal Conexão Comunidade

O novo advogado de defesa do construtor Diego Veras, Haroldo Corrêa Filho, entrou na segunda-feira (18) com um novo habeas corpus para o construtor, nesta semana, após a Justiça negar uma liminar para o primeiro pedido. A negativa saiu na segunda-fera (18). Diego está preso há 113 dias em São Paulo e existe a possibilidade de uma transferência para Santa Catarina. Mesmo com a negativa judicial, o advogado afirmou ao Conexão que argumenta que o cliente está preso sem ter o direito de defesa. Ele disse que o cliente nem sequer foi citado, o que demonstra um constrangimento ilegal.

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“Foi uma venda só feita pelo Diego. O restante foi sucessão de vendas. Não que o Diego tenha vendido o apartamento para três pessoas. E as três aparecem como vítimas na delegacia. Se a gente for eliminando esses erros do processo, vamos conseguir entregar os apartamentos para os verdadeiros adquirentes. Na verdade, esses problemas foram causados pelos embargos da prefeitura, se não as obras teriam sido terminadas e entregues”, afirmou o advogado.

Questionado sobre a duplicidade das vendas, o advogado afirmou que pode ter acontecido ‘um erro ou outro’, já que várias imobiliárias estavam envolvidas no processo de comercialização dos empreendimentos encabeçados por Diego.

Um novo habeas corpus foi encaminhado à Justiça para apreciação nesta semana, onde o advogado questiona pontos do processo, retrata a falta de defesa do cliente há 113 dias, mostra que o cliente não tem antecedentes criminais e possui família, além de residência fixa. Até o fim de setembro, Haroldo Corrêa Filho acredita que o novo pedido deve ser apreciado com os pontos de questionamento.

“Assim, se vê que da data da prisão do paciente já se passaram 110 (cento e dez) dias e da data da denúncia já se passaram 90 (noventa) dias, mas entretanto até a data de hoje a citação do acusado não ocorreu, o que caracteriza o excesso de prazo e o constrangimento ilegal que vem passando o paciente. Saliente-se, ainda, que o paciente sequer fora ouvido pela autoridade policial sobre os fatos, apenas o trancafiaram e ao que parece o esqueceram, o que é um absurdo, estando ocorrendo o excesso de prazo para a formação da culpa”, diz o pedido do advogado e que foi encaminhado à Justiça catarinense.

ENTENDA O CASO

Vítimas de golpe compraram apartamento na planta em terreno de posse
Foto: Emanuel Soares / Jornal Conexão Comunidade

Os imóveis construídos por Diego foram comercializados ainda na planta. No fim de 2016, as obras ficaram em ritmo mais lento, foi quando alguns investidores descobriram que o imóvel deles havia sido comercializado para mais de uma pessoa. O inquérito apurado pelo delegado Nivaldo Claudino Rodrigues, titular da 8ª Delegacia de Polícia, tem mais de mil páginas. Ele pediu a prisão do construtor suspeito com base nos crimes de estelionato e formação de quadrilha, devido a venda em duplicidade. As vítimas, na maioria, compraram o imóvel diretamente com o construtor. Deram carros e uma quantia em dinheiro. Alguns deles conseguiram recuperar os veículos, porém o dinheiro pago no negócio ainda foi reembolsado.

Diego foi encontrado em um condomínio de alto padrão em Cotia que fica na Grande São Paulo no início de junho. Lá, no momento em que o mandado da Justiça catarinense foi cumprido, a polícia encontrou dois carros de luxo, um Porsche e um BMW, avaliados em R$ 500 mil.