SUSPEITO DE ESTELIONATO...

Construtor entra na Justiça para derrubar embargos da prefeitura em obras

Advogado quer evitar a demolição dos condomínios que estão embargados desde o ano passado

COMPARTILHE ›
Foto: Emanuel Soares / Jornal Conexão Comunidade
Foto: Emanuel Soares / Jornal Conexão Comunidade

Está tramitando na Justiça catarinense uma ação do construtor Diego Veras contra a Prefeitura de Florianópolis. Ele quer derrubar os embargos feitos pela fiscalização municipal nos prédios que ele construía e que tiveram a obra paralisada no fim de 2016. Diego, que está preso em São Paulo, é suspeito de ter vendido apartamentos para mais de uma pessoa na Praia dos Ingleses. O caso foi investigado pela 8ª Delegacia de Polícia Civil.

LEIA MAIS:
– “Foi uma venda só feita pelo Diego”, diz advogado do construtor suspeito de golpe
– Preso construtor suspeito de aplicar golpe na venda de apartamentos em Ingleses
– Justiça nega pedido de relaxamento de prisão para construtores suspeitos de estelionato
– Juíza prorroga inquérito de estelionato por precariedade da situação da Polícia Civil

– Golpe deixa dezenas de pessoas lesadas na venda de apartamentos em Ingleses
– Vítimas de golpe compraram apartamento na planta em terreno de posse
– Polícia pede prisão de construtor suspeito de estelionato na venda de imóveis

Um dos objetivos do construtor, por meio do processo, seria terminar a construção dos prédios e entregar a obra pronta. O advogado Haroldo Corrêa Filho, que representa o construtor preso, afirmou que, com uma decisão da Justiça pelo fim do embargo e a saída de Diego da cadeia, as obras serão retomadas.

“A Defensoria Pública tem me ligado, alguns advogados de compradores têm me ligado e tem entendido que meu caminho é correto. Eu acredito que conseguindo tirar a interdição, os prédios são praticamente prontos. Falta colocar as janelas e pintar, fazer o acabamento interior. (…) Se o Diego passa a posse para os verdadeiros adquirentes, a parte dele ele fez. Nós estamos querendo evitar que a prefeitura venha a demolir esses prédios, daí o prejuízo é maior”, disse o advogado.

O advogado sustenta que Diego não fugiu da cidade e sim, saiu da cidade por ameaças que vinha sofrendo e conforme ele vinha se dando bem, houve ciúme de outros construtores da ilha.

Nesta quinta-feira (21), o Conexão publicou que o advogado sustenta na Justiça que não houve duplicidade nas vendas e sim uma sucessão de vendas onde todos aparecem como vítimas. Questionado sobre a investigação que aponta crimes de estelionato e formação de quadrilha, Haroldo Corrêa Filho afirmou que pode ter acontecido ‘um erro ou outro’, já que várias imobiliárias estavam envolvidas no processo de comercialização.

“Foi uma venda só feita pelo Diego. O restante foi sucessão de vendas. Não que o Diego tenha vendido o apartamento para três pessoas. E as três aparecem como vítimas na delegacia. Se a gente for eliminando esses erros do processo, vamos conseguir entregar os apartamentos para os verdadeiros adquirentes. Na verdade, esses problemas foram causados pelos embargos da prefeitura, se não as obras teriam sido terminadas e entregues”, afirmou o advogado.

No dia 21 de junho, o promotor Fernando Linhares da Silva Júnior apresentou denúncia contra Diego Veras, o sócio Danilo Lacerda e a esposa de Diego, Kesly Veras. Na apresentação da denúncia, aparecem 82 compradores como lesados pelo crime investigado, sendo 37 pessoas no Residencial Maritina, 12 no condomínio Zarah 1 e 33 no Zarah 2. A denúncia mostra que, no caso do apartamento 203 do Residencial Maritina, são oito pessoas como compradoras do imóvel.

ENTENDA O CASO

Pessoas são lesadas na venda de apartamentos em condomínios nos Ingleses
Foto: Jornal Conexão Comunidade

Os imóveis construídos por Diego foram comercializados ainda na planta. No fim de 2016, as obras ficaram em ritmo mais lento, foi quando alguns investidores descobriram que o imóvel deles havia sido comercializado para mais de uma pessoa. O inquérito apurado pelo delegado Nivaldo Claudino Rodrigues, titular da 8ª Delegacia de Polícia, tem mais de mil páginas. Ele pediu a prisão do construtor suspeito com base nos crimes de estelionato e formação de quadrilha, devido a venda em duplicidade. As vítimas, na maioria, compraram o imóvel diretamente com o construtor. Deram carros e uma quantia em dinheiro. Alguns deles conseguiram recuperar os veículos, porém o dinheiro pago no negócio ainda foi reembolsado.

Diego foi encontrado em um condomínio de alto padrão em Cotia que fica na Grande São Paulo no início de junho. Lá, no momento em que o mandado da Justiça catarinense foi cumprido, a polícia encontrou dois carros de luxo, um Porsche e um BMW, avaliados em R$ 500 mil.